Por que resoluções de ano novo falham (e o que os dados realmente mostram)
06 de agosto de 2026 · 2 min de leitura · Capi
Um estudo com quase mil pessoas acompanhadas por um ano: metas de aproximação tiveram 58,9% de sucesso contra 47,1% das metas de evitação. A forma de escrever muda o resultado.
Você já viu o número: "80% das resoluções falham até fevereiro". Ele circula em site de academia, jornal e post motivacional. Só que não encontramos um estudo primário citável por trás dele. Então vamos ao que dá para verificar.
O estudo sueco
Oscarsson, Carlbring, Andersson e Rozental (2020) publicaram na PLOS ONE um experimento de larga escala: quase mil participantes que fizeram resoluções de ano novo, acompanhados por doze meses.
O achado mais útil não é a taxa geral de fracasso — é como a meta foi formulada:
- Metas de aproximação (buscar algo positivo: "vou comer mais frutas", "vou correr duas vezes por semana"): 58,9% de sucesso.
- Metas de evitação (evitar algo negativo: "vou parar de comer doces", "vou parar de procrastinar"): 47,1% de sucesso.
Onze pontos percentuais de diferença, só pela direção da frase.
Por que a direção importa
Meta de evitação define o fracasso, não o sucesso. "Não comer doce" só pode ser mantida ou quebrada — não tem progresso para comemorar, só um recorde para perder. Meta de aproximação tem um comportamento concreto que você pode executar e registrar hoje.
Em 2022, o grupo publicou um seguimento sobre recaída, associando desistência a fatores como baixa autoeficácia e ambiente social pouco favorável. Ou seja: a formulação ajuda, mas o contexto ao redor também pesa.
Reescrevendo as clássicas
| Evitação | Aproximação |
|---|---|
| Parar de gastar à toa | Guardar R$ 400 por mês |
| Sair menos do foco | Fazer dois blocos de 50 min por dia |
| Parar de dormir tarde | Estar na cama às 23h em 5 noites |
Junte tudo
O que a pesquisa deste blog sugere, somada:
- Horizonte curto, com marcos intermediários (Ariely & Wertenbroch, 2002).
- Meta específica e desafiadora, escrita como aproximação (Locke & Latham, 2002; Oscarsson et al., 2020).
- Um plano "se… então" para cada ação (Gollwitzer & Sheeran, 2006).
- Monitoramento frequente, de preferência relatado a alguém (Harkin et al., 2016).
Isso é, basicamente, um ciclo de 90 dias bem feito. E é exatamente o que o Capi te ajuda a montar.
Referências
- [1]Oscarsson, M., Carlbring, P., Andersson, G., & Rozental, A. (2020). A large-scale experiment on New Year's resolutions: Approach vs. avoidance goals. PLOS ONE, 15(12), e0234097.
- [2]Oscarsson, M., et al. (2022). Determinants and Prevalence of Relapse Among Participants of the Norwegian New Year's Resolutions Study. Frontiers in Psychology, 13:912885.

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